quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Breve cronologia 1947-1981

1947 – Osamu Tezuka (Japão) estreiaShintakarajima” que é uma mistura de “Tarzan” com “Robinson Crusoé” sendo a precursora da “Mangá” actual, muito expressiva com recurso a olhos grandes das personagens e a caricaturas para traduzir sentimentos. É considerado como o criador das bases daMangá” conquistando todas as faixas etárias no Japão, tornando esse país como o maior produtor e consumidor de BD no Mundo.


Na BD franco-belga, aparece o cowboy que “dispara mais rápido que a sua própria sombra” – o “Lucky Luke” de Morris (Bélgica).
Uma das características de Lucky Luke, é que mantinha sempre uma ponta de cigarro na sua boca que, com a entrada das suas aventuras no mercado norte-americano, foi “obrigado” a trocar por uma, mais saudável e ecológica, palhinha. Também surgem as aventuras de um coronel da US AirForce, no Pacífico – o “Buck Danny”, criado por Jean-Michel Carlier e Victor Hubinon (Bélgica).



1948Mais BD da escola franco-belga – “Alix, o Intrépido” de Jacques Martin (Bélgica). É uma série fundamentada por muita documentação de História que o autor foi arquivando, estando as aventuras de Alix situadas na Antiguidade Romana.


À primeira vista, parece uma BD de tema “Histórico”, mas não é... - apesar dos costumes, eventos e paisagens corresponderem à realidade Histórica, eles também estão desfasados na sua cronologia...
 Quadradinho da página 28 do álbum "Herkios, o jovem grego", editado pela ASA/Público em Junho de 2010 .


1949 Sai o 1º número de uma das revistas de BD mais reconhecidas em Portugal – a “Mundo de Aventuras”. Pertença de um grande “império editorial” de Portugal, a “Agência Portuguesa de Revistas” (APR), era constituída pelas melhores séries americanas (Rip Kirby, Johnny Hazard, Flash Gordon, Príncipe Valente, Fantasma, Roy Rogers…) publicadas nos EUA e em muitos jornais do mundo inteiro. Curiosamente, neste nº1, também é publicado um original português, “A História Maravilhosa de João dos Mares”, de Augusto Barbosa que é um pseudónimo deCarlos Alberto Santos, um dos melhores ilustradores portugueses de capas e de colecções de cromos de grande beleza.
A colecção de cromos História de Portugal” é o seu maior reconhecimento público e um dos grandes êxitos da Agência Portuguesa de Revistas – 17 edições entre 1953 e 1971!











Capa da caderneta de cromos da 15ª edição de  "História de Portugal", Julho de 1969 e página nº20 com quatro cromos.


A “Mundo de Aventuras” que logo no primeiro ano esteve em risco de desaparecer, passou por vários formatos ao longo da sua vida de 1841 números publicados – um recorde nunca alcançado por uma publicação do mesmo género. O formato (280X400) dos primeiros números não foi do agrado do público, obrigando a uma reformatação drástica e urgente. O novo formato (215X290) revelou-se um êxito entre os jovens, cabendo nas capas escolares e permitindo lê-las às escondidas dos professores e pais… No ano do seu desaparecimento, 1987, o seu formato era mais reduzido – 165X235.



1950Peanuts” de Charles Schulz é uma das séries norte-americanas, mais difundidas no Mundo, em que o adulto está excluído nas histórias deCharlie Brown e companhia, mais o seu famoso cão filósofo: “Snoopy”.
Tira (1954) da página 303 da edição portuguesa "PEANUTS - Obra completa 1953-1954", editada pela Afrontamento em Novembro de 2005.



1952 Em Portugal, surge a revistaCavaleiro Andante” em “substituição” da revista “Diabrete”, continuando Adolfo Müller como director. Muitas das histórias eram da BD franco-belga , sem esquecer as de autores portugueses (Fernando Bento, José Garcês, E.T.Coelho, Artur Correia, José Ruy, Vítor Peon, Stuart…).
 O “Cavaleiro Andante” teve diversos suplementos que acabaram por formar outras tantas colecções: “O Pajem”; “Andorinha”; “Desportos” (nada de BD e dedicada só aos desportos); “Bip-Bip”, patrocinada pela BP, aonde surge histórias aos quadradinhos de Jean Graton com o seu “Michel Vaillant” (na altura em que os nomes dos heróis eram “traduzidos” para português, chamou-se “Miguel Gusmão” (!) ou “Miguel Vaillant”…).
 Outras publicações ligadas à “Cavaleiro Andante*: os “Número Especial” e “Numero Especial Natal” com aventuras completas; “Álbum do Cavaleiro Andante” com 107 números publicados com destaque para o belga Willy Vandersteen e o italiano Franco Caprioli; “Obras-Primas Ilustradas” que eram adaptações de grandes romances, tendo continuado a sua publicação até 1964, já a revista “mãe” tinha desaparecido; “Oásis”; “João Ratãopara os mais pequenos com contos, adivinhas…; “Alvo”; “Foguetão” que é uma das maiores revistas portuguesas de BD (300X420 (!)) e a única que editou uma história aos quadradinhos na sua língua original com tradução em rodapé – “Tintin au Tibet” de Hergé.
 A “Cavaleiro Andante” cessa a sua publicação em 1962 com 556 números publicados semanalmente.
* http://quadradinhos.blogspot.com/2010/10/numeros-especiais-do-cavaleiro-andante.html

1954 Na BD franco-belga, surge um “cowboy” com o seu companheiro de aventuras, o mexicano Pancho – o “Jerry Spring” de Joseph Gillain (Bélgica), mais reconhecido por“Jijé”. É considerada como a “entrada” para o realismo na BD franco-belga.


1958 Mais franco-belga com os “Schtroumpfs” de Peyo (Bégica), os pequenos duendes azuis que a partir de 1976, atingiram o seu apogeu de reconhecimento, mundial, através dos desenhos animados.



1959 Um dos grandes da escola franco-belga – “Astérix” de René Goscinny e Albert Uderzo (França). Sem dúvidas, “Astérix e Obélix” são os heróis mais populares da BD franco-belga e porque não, no mundo, estando traduzidos em mais de 100 Línguas e dialectos, aonde está incluindo o nosso “Mirandês”!


1962 Em França surge uma bela aventureira futurista que será precursora de outras heroínas com personalidade forte, agressiva, mas, sofisticada, numa BD erotizada – a “Barbarella” de Jean-Claude Forest. Esta personagem tem muitas semelhanças físicas com a actriz francesa Brigitte Bardot, considerada como o grande “símbolo sexual” dos anos 60 e 70, pelo que não será de admirar que a inspiração de Forest tenha vindo da BB.

“Barbarella” com e sem censura


1963 Na Europa, surge uma das grandes referências no mundo da BD doWestern” – “Blueberry” de Jean Giraud. Esta obra está dividida em três séries – “Bluberry”, “A Juventude de Blueberry” e “Marshal Blueberry”. Giraud com o argumentista Jean-Michel Charlier (menos os cinco volumes que Giraud assumiu o argumento), desenhou toda a primeira e os três primeiros volumes da segunda, totalizando 40 álbuns. Giraud ainda participou em mais três histórias como argumentista, na terceira série desenhadas por William Vance e por Michel Rouge. Os restantes álbuns, da “Juventude de Blueberry”, foram desenhados pelos desenhadores Colin Wilson e Michel Blanc-Dumont.


1965Nos EUA, Russ Manning inicia a sua adaptação para “comics books”, de alguns dos primeiros romances de “Tarzan”. Considerado como um dos quatro fabulosos desenhadores de Tarzan (Harold Foster, Burne Hogarth e Joe Kubert) é reconhecido pelo seu traço vigoroso e limpo numa história cheia de ritmo na acção.
Primeira tira da página 7 da edição portuguesa, "TARZAN - Volume I: pranchas dominicais de Russ Manning 1968-1970", editada pela "Bonecos Rebeldes" em Setembro de 2007.


De 1967 a 1979, Russ Manning desenhou essas histórias aos quadradinhos para publicação na imprensa, inicialmente como tiras semanais e depois, como pranchas dominicais. A convite pessoal de Georges Lucas, Russ Manning passa a desenhar a sérieStar Wars”, baseada do filme, até 1980, quando suspende a sua actividade por doença.
 Em Portugal, Russ Manning foi responsável, com o “seu” Tarzan, pelo maior êxito de uma das edições da “APR” – a revistaTarzan” com 96 números publicados entre 1969 e 1978.
Revista nº6 (suplemento ao nº1041 da revista "Mundo de Aventuras) com a conclusão da história "As jóias de Opar", desenhada por Russ Manning.


1967 Na BD europeia, surge a personagem “Corto Maltese” de Hugo Pratt (Itália), com a sua inconfundível arte a preto e branco.
 Também estreiam as aventuras espácio-temporais de Valerian e a sua companheira Laurine – “Valerian” de Jean-Claude Mézières e Christin (França).
Alguns quadradinhos da página nº40 do álbum "As iras de Hypsis", editado pela Meribérica/Liber em 1986.


1968Em Portugal, sai o primeiro número da revista “Tintin”, que foi a que mais divulgou a escola franco-belga, entre os leitores portugueses, os seus inúmeros personagens e autores. Será a última revista portuguesa a ter uma longa duração quando se começa a entrar numa era, anos 70, em que as pequenas revistas com histórias completas e dos mais diversos temas, proliferam em desprimor das anteriores, de maior formato e histórias continuadas. A última revistaTintin” – dividida por anos (15) e subdividida por volumes semestrais – sai em 1982, totalizando 801 exemplares.

1971Surge a revista “Jornal do Cuto”, talvez, numa tentativa de fazer renascer o passado das revistas portuguesas de BD, incluindo um suplemento para meninas – “A Formiga”. O próprio nome da revista, recorrendo à personagem “Cuto” de Jesus Blasco, convida à nostalgia da melhor era das revistas de BD e das histórias aos quadradinhos de autores portugueses – os anos 40 e 50. Em 1978, sai o último número (174).

1972 Nos EUA, surge “Fritz the Cat” de Robert Crumb que é uma sátira do mundo dos esquerdistas e dos marginais, visto do próprio interior, sendo um dos principais representantes da contracultura.

1975 EM França, surge a revista “Métal Hurlant” e ao mesmo tempo, a editora “Humanóides Associes”, criadas por Jean Giraud e mais três colaboradores, aonde se irá privilegiar as histórias de fantasia e ficção científica. Giraud que assina como “Moebius” e que antes deste, usou o pseudónimo “Gir”, além de publicar algumas histórias suas, abre a revista à colaboração do outro lado do atlântico, publicando trabalhos de autores americanos. Esta colaboração dá origem em 1977, à sua versão norte-americana – A “Heavy Metal”.
1977 – Morre um dos mais apreciados argumentistas de BD, pela sua criatividade e humor – René Goscinny (França). Entre os seus inúmeros trabalhos, estão grandes nomes da BD franco-belga como “Astérix”, “Lucky Luke”, “Iznogoud”, “Modeste et Pompom” e outros que resultando em milhões de tiragens, o tornaram como o autor francês mais traduzido em todo o mundo. Em sua memória, foi instituído o “Prêmio Renè Goscinny” que todos os anos, no Festival de Angoulême (Bélgica), recompensa jovens argumentistas de BD.


http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Disney/Mickey1/index.html
1980É publicada em português de Portugal, a primeira revista da Disney – “Mickey” pela editora Morumbi. No início sem praticamente alguma concorrência, tendo até tido apoio de um famoso programa da televisão “Clube dos Amigos Disney” (1985), chega às quase 70 diversas edições relacionadas com o mundo Disney.
 Assim como oscilou em várias editoras (Morumbi, Abril Morumbi, Abril, Abril Jovem, Abril/Controljornal e Edimpresa), também teve muitas oscilações nas vendas e a entrada no novo séc. XXI não foi favorável, apesar das tentativas para cativar, além dos mais novos, também os adolescentes e coleccionadores. Última revista de BD da Disney, em Portugal, sai em Dezembro de 2008 – a “W.I.T.C.H.”, revista juvenil/adolescente para raparigas.

Capa da revista W.i.t.c.h nº62, edição de Portugal, Dezembro de 2008

1981Em França, é publicado a série “Incal” (L'Incal Noir) de Moebius com argumento de Jodorowsky – uma referência da BD franco-belga dos anos 80 que mistura ficção científica, relacionada com cultos, com uma história policial. Baseando neste estilo de história, Jodorowsky produziu argumentos para outras séries de sucesso – “A Casta dos Metabarões” de Juan Gimenez e “Les Technoperes” de Zoran Janjetov. O filme “O quinto Elemento” é muito influenciado por este estilo, aonde colaboraram dois famosos autores de BD – Moebius e Jean-Claude Mézières.

Capa da edição portuguesa, editada pela Meribérica/Liber em Junho de 1999.


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